Negação? Não, não já passei por essa fase.
Milagre? Até acredito em Deus, mas não pediria por uma coisa assim, desnecessário.
Algum medicamento? Não, garanto que medicamentos que atuem diretamente no DNA, dessa forma, não estão no mercado.
Erro no diagnóstico? Também não! Mesmo sem cariótipo a síndrome de Down é facilmente caracterizada.
O que aconteceu? Deixei de ver a síndrome de Down da minha filha. Hoje e cada dia mais, vejo somente a Gabriela! Uma menininha de 3 anos. Muitas pessoas podem se assustar e achar que estou negando um fato, mas garanto que não é isso. É uma coisa mais interna, algo que nunca achei que fosse sentir ou falar.
Quando descobri a SD dela, fiquei vidrada no assunto, lia vários livros, entrei em muitos grupos, ia em várias reuniões, percorria kilômetros e kilômetros atrás de terapeutas, médicos, cursos... E os anos foram passando. O blog mesmo, foi um canal de troca que usava constantemente! Mas minha forma de encarar esse assunto foi mudando. Cada etapa da Gabriela, me mostrava claramente que alí não tinha uma criança "Down" ou um "anjinho" e sim uma menina. Uma menina buscando seu espaço na escola, dentro de casa, no parquinho. Uma menina como tantas outras. E como todas as outras meninas, ela também não precisava de rótulo algum, bastava ser criança.
Interessante que não estou de brincadeira! Eu simplesmente esqueço que a Gabriela tem síndrome de Down... vou me concentrando em cada conquista e tentando auxiliar naquilo que ela sinta dificuldade (assim como eu sempre precisei de ajuda... ahh a matemática, como eu ralava! Ahh matemática... como eu ralo!).
Vou dar um exemplo bem simples: A Gabi está no jardim I na escola. Nesse ano, a matemática começou a ser ensinada, tudo muito básico, por agora, quantidades. Ela já reconhecia e contava até 10, quando tinha só 2 aninhos, agora com 3 ela já consegue correlacionar o número com a quantidade apresentada, tudo ainda bem no inicio para a turma, mas está nesse nível. E eu sempre na brincadeira, usando números e tal. O ano letivo começou a pouco tempo, ainda não aconteceu nenhuma reunião de pais, só acompanho o desenvolvimento da minha filha. Um dia... no parquinho encontramos um amigo da sala. Conversinha vai, os dois fazendo um bolo de areia, quando eu pergunto sobre o número de cachorros que o amigo tinha. Não sabia ainda responder, levantou dois dedinhos e disse 3! Ok, ok, super natural para a idade! E muito fofo! Perguntei para a Gabriela (nunca tinha feito essa pergunta para ela antes) a resposta: 3! Com 3 dedinhos estendidos e um sorrisão de quem sabia o que estava falando!
Então resumindo! Sabe quando eu lembro que a Gabriela tem síndrome de Down? Quando alguém me lembra, quando alguém fala: 1)"Ela tem algum problema?" 2)"Ela é doentinha?" 3)"ELES são uns anjinhos!" 4)"Sua filha tem síndrome de Down?"
Gabarito das respostas rsrsrs:
1)Problema? Problema tenho eu! Cheia de contas para pagar, já viu criança com problema?
2)Viro para Gabriela e pergunto: "Minha filha você espirrou? A mamãe nem viu!"
3) ELES? Eles quem? (Lógico a resposta: as crianças com síndrome de Down - existe essa mania de achar que são todos iguais, todos uns amores, inocentes... e por aí vai) Não... minha filha de anjinho não tem nada! Esperta que só, chega me dar um nó. Um temperamento (nem posso reclamar, teve a quem puxar), sapeca, espoleta... esses dias não despencou pela janela, porque deu tempo de ir por fora e pegar (moro em casa rs).
4) Tem sim!
Lógico... não respondo dessa forma, não consigo ser sarcástica, vou medindo as palavras, adaptando a cada situação, mas não perco nunca a oportunidade de ensinar um pouquinho sobre diferenças, semelhanças, humanidade!
Ta faltando uma foto nova da Gabi!!!! E ufa... muito tempo sem postar, um pouquinho do motivo está relatado né? ;P